Templo dos orixás

Templo dos orixás


sexta-feira, 5 de abril de 2013

UMBANDA – UMA RELIGIÃO PARA TODOS

A Umbanda é uma religião livre de preconceitos e acessível a todos, sem qualquer tipo de distinção. Para conhecê-la, basta abrir o coração.
O preconceito decorre sempre da ignorância. Quando conhecemos a razão, o objetivo e o fundamento de alguma coisa, ela se desvenda aos nossos olhos e nos revela a sua essência, e aí estamos em condições de compreender. Depois que compreendemos algo, só continuamos no preconceito se quisermos. Se nos interessar.
Muitos dizem que compreendem, mas não aceitam. Se não aceitam, é porque, realmente, não compreendem. Entendem com a razão, como se somassem 2 + 2. Mas se esse entendimento não passa pelo coração, o resultado é uma equação fria e impessoal, onde a resposta surge mais da lógica das aparências do que propriamente da percepção da natureza das coisas.
Assim é com a Umbanda, a religião brasileira por excelência e que sempre foi alvo de todo tipo de preconceito. Muito se tem falado a respeito desse culto e de seus rituais e, através dos anos, a Umbanda sofreu (e sofre ainda hoje) ataques veementes por parte daqueles que não conseguem ainda se desapegar de velhos conceitos.
Se acreditarmos que tudo na vida tem um porquê, veremos que a Umbanda também tem os seus motivos. Afinal, Deus é onipresente, e ninguém há de se atribuir o privilégio de ser exclusivo na transmissão de Sua mensagem, que é a mensagem do amor. Não só a Umbanda, como qualquer prática religiosa voltada para o bem e o cultivo dos verdadeiros valores do espírito, está apta a transmitir a palavra de Deus.
Antigamente, tratava-se a Umbanda como religião dos pobres e ignorantes, daqueles que, sem conhecimento ou cultura, buscavam uma saída milagrosa para seus problemas e aflições. Sem validação científica ou mesmo religiosa, a Umbanda era vista como uma prática fetichista que oferecia uma solução baseada mais na indução do que na efetiva resolução das dificuldades. Em troca de agrados, o interessado poderia obter uma graça ou benesse. E, se conseguia um efeito positivo, isso nada mais era do que mera coincidência ou resultado de práticas mais seguras, como tratamentos médicos, por exemplo.
Nada disso é totalmente errado. A Umbanda é, efetivamente, uma religião de pobres e ignorantes. Mas é também de doutores e ricos, de brancos e negros, de homens e mulheres, de enfermos e sãos, de hetero e homossexuais… é, enfim, uma religião para todos.
Porque a Umbanda desconhece o preconceito e as diferenças sociais. Nela, há espaço para todo tipo de gente, para todo aquele que esteja em busca do autoconhecimento e de uma vida melhor. Sem abandonar a essência da doutrina de Jesus, adota práticas que vieram dos negros e dos índios, numa clara demonstração de que todos estamos em busca da mesma verdade divina.
Porque tudo, em realidade, é uma coisa só. Deus não criou religiões nem fez qualquer distinção entre as que foram criadas pelo homem. É o próprio homem quem estabelece essas diferenças, julgando agradar a Deus mais do que o seu irmão, quando, na verdade, a única coisa que agrada a Deus é a prática constante do amor.
Do amor decorrem a amizade, o respeito, a compreensão, a caridade, a harmonia e outros tantos sentimentos nobres. Então, estaremos em equilíbrio com as forças divinas sempre que imbuídos dessas qualidades. Não importa que religião professemos: espírita, protestante, budista, umbandista, católica, ou religião alguma… O que realmente tem importância é com o quanto de amor estamos dispostos a contribuir para a melhora do mundo. Essa é a verdadeira religião, a única que pode nos religar a Deus.
Por isso, devemos nos despir do preconceito e nos permitir conhecer e respeitar todo tipo de religião. Todas têm alguma coisa de bom. Podem não ser a mais condizente com os nossos anseios ou com a nossa inteligência, ou com a nossa sensibilidade. Mas atendem aos anseios, à inteligência e à sensibilidade de alguém, e quem somos nós para dizer que o que sentimos é onde está a razão?  Sem críticas, preconceitos ou idéias pré-concebidas, todos temos a lucrar com novos conceitos e novos valores, que, na maioria das vezes, falam direto ao nosso coração.
Que aqueles que ainda não conhecem a Umbanda possam desanuviar suas mentes e se permitir conhecer as suas práticas e os seus fundamentos.  Esta é uma religião que não discrimina, não julga e recebe todos de braços abertos, como irmãos, filhos e amigos.

Na Umbanda a caridade é Lei Maior

E esses espíritos, com aspectos mais bizarros, que se manifestam em médiuns são, na verdade, outra classe de entidades, espíritos marginalizados por seu comportamento ante a vida, verdadeiros bandos de obsessores, de vadios, que vagam sem rumo nos sub-planos astrais e que são, muitas vezes, utilizados por outras inteligências, servindo a propósitos menos dignos. Além disso, encontram médiuns irresponsáveis que se sintonizam com seus propósitos inconfessáveis e passam a sugar as energias desses médiuns e de seus consulentes, exigindo “trabalhos”, matanças de animais e outras formas de satisfazerem sua sede de energia vital. São conhecidos como os quiumbas, nos pântanos do astral. São maltas de espíritos delinquentes, à semelhança daqueles homens que atualmente são considerados na Terra como irrecuperáveis socialmente, merecendo que as hierarquias superiores tomem a decisão de expurgá-los do ambiente terrestre, quando da transformação que aguardamos neste milênio. Os médiuns que se sintonizam com essa classe de espíritos desconhecem a sua verdadeira situação.

Depois, existe igualmente um misticismo exagerado em muitos terreiros que se dizem umbandistas e se especializam em maldades de todas as espécies, vinganças e pequenos “trabalhos”, que realizam em conluio com os quiumbas e que lhes comprometem as atividades e a tarefa mediúnica. São, na verdade, terreiros de Quimbanda, e não de Umbanda. Usam o nome da Umbanda como outros médiuns utilizam-se do nome de espíritas, sem o serem.

Os espíritos que chamamos de Exus são, na verdade, os guardiões, os atalaias do Plano Astral, que são confundidos com aqueles dos quais falei. São bondosos, disciplinados e confiáveis. Utilizam o rigor a que estão acostumados para impor respeito, mas são trabalhadores do BEM.

São eles os verdadeiros Exus da Umbanda, conhecidos como Guardiões, nos sub-planos astrais ou umbral. Verdadeiros defensores da ordem, da disciplina, formam a polícia do mundo astral, os responsáveis pela manutenção da segurança, evitando que outros espíritos descompromissados com o bem instalem a desordem, o caos, o mal. Tem experiência nessa área e se colocam a serviço do bem, mas são incompreendidos em sua missão e confundidos com demônios e com os quiumbas, os marginais do mundo astral.

NÃO EXIGEM NEM ACEITAM “TRABALHOS”, DESPACHOS OU OUTRAS COISAS RIDÍCULAS das quais médiuns irresponsáveis, dirigentes e pais de santo ignorantes se utilizam para obter o dinheiro de muitos incautos que lhes cruzam os caminhos. Isso é trabalho de Quimbanda, de magia negra. NADA TEM A VER COM A UMBANDA!

Os 7 Ensinamentos da Umbanda

1 - Humildade - Ao vestir o branco, entender o porque dessa cor, ela simboliza a pureza das atitudes, a clareza espiritual. Você, ao por os pés no terreiro, entra com quais pensamentos? Você se sente um médium preparado para servir de intercambio entre os mundos?


2 - Boa vontade - Se você iniciou por amor ou pela dor, não interessa, você está dentro agora. Qual sua boa vontade? Esta com o coração aberto? Esta livre de pensamentos contrários ao momento? Ao pisar em frente ao congá, traz sua mente para a quietude? Ao se curvar nos momentos de oração, você abre sua mente e seu corpo para o trabalho caritativo?


3 - Seriedade - Já sabendo que o momento necessita de humildade e boa vontade, você esta ali para ajudar a SI e as outras pessoas? Ou esta ali para elevar alguma parte escondida do seu EGO, se fazendo passar por calmo, sereno e paciente, mas na escuridão do seu ser, um vampiro que esta se deliciando com toda a atenção que você recebe. Você é daqueles que acha que "seu" guia é superior a todos, o melhor? Cuidado, você pode estar recebendo um caboclo de meia-pena, e nem se deu conta...


4 - Fé - Até aonde sua fé é capaz de chegar? Você realmente acredita nos seus guias? Tem alguma dúvida sobre o plano espiritual, se não possui, então você é daqueles médiuns que nunca parou para pensar..."Será que não sou eu ?..." no momento em que seu guia, diz algum conselho a alguém, ou simplesmente tem uma postura que você acha no mínimo "estranha". 


5 - Tranquilidade - Você é capaz de manter a calma, nos momentos mais complicados, aonde a vida lhe exige um pouco mais de tenacidade com relação aos acontecimentos ? Ou você ja põe a culpa dizendo ser filho desse ou daquele santo, e sai distribuindo farpas energéticas negras em direção as pessoas que não tem nada com os seus dissabores diários.


6 - Cumplicidade, até aonde você deixa o sossego do seu lar, para ajudar a quem esta toda semana, ou a cada 15 dias, a espera de uma mensagem amiga, de um conforto espiritual? Até aonde você se sente responsável pelo que acontece à sua volta?


7 - Respeito - Você tem respeito pela hierarquia da casa que lhe acolheu no momento em que você precisava ? Você tem respeito para com seus irmãos, mesmo sabendo que algum possa estar agindo "injustamente", para com você? Você tem respeito, pelos que estão sentados, em frente ao congá, esperançosos, curiosos, ou mesmo aqueles que nem sabem o que estão fazendo naquele lugar, mas no fundo são filhos do mesmo Deus, do mesmo Criador, então, tão dignos de respeito como o que você quer receber.


Já pensou nisso?

Entendendo a Umbanda

Por incrível que possa parecer aos olhos dos não iniciados no culto da Umbanda, não existe um consenso de quais são os sete Orixás básicos ou as sete linhas, ou até mesmo sobre quais são os Orixás da Umbanda. Mas para aqueles que já estão na Umbanda há algum tempo fica fácil compreender que a Umbanda não tem um codificador, não tem uma Bíblia, não tem um “Diretor de Culto” Supremo.
A Umbanda sofreu e sofre incríveis influências regionais e até mesmo, numa mesma região, de terreiro para terreiro.
Zélio Fernandino de Moraes
Fundador da Umbanda
As diferenças de culto, ritualística e de maneiras de compreender a Umbanda devem ser encaradas como riqueza da nossa religião e não como falta de organização. Portanto, não há intenção de determinar ou decodificar a Umbanda. Entretanto, existem algumas premissas que, de certa forma, são consenso dentro da Umbanda, havendo pequenas variações que devem ser respeitadas.

Características Principais Da Umbanda

A Umbanda é um sistema religioso fundamentalmente naturista, isto é, se manifesta através das forças da natureza, assim como com espíritos contemporâneos, ou não, pesando expressivamente em seu exercício as vibrações das Almas. A Umbanda possui muitas co-irmãs e as pessoas muitas vezes confundem-na com outras religiões que possuem nomenclaturas semelhantes às utilizadas na Umbanda, no entanto a semelhança é meramente aparente e termina aí. O fato da Umbanda ter como uma de suas raízes a forte influência africanista e cultuar Orixás, gera muita confusão e sobressai a necessidade de apontar limites bem claros.
1. Trabalhamos exclusivamente visando o bem, a caridade e a evolução espiritual de todos.
2. Não temos “feituras de cabeça”, boris, raspagens, camarinhas, roncós, corpo fechado, ebós, orunkô, feitura de santo, bascos, firmo de nação, etc.
3. As sessões obedecem a horários pré-estabelecidos. Não vemos nenhum sentido em sessões madrugadas adentro. Por que não? Simplesmente por ser contraproducente, ninguém consegue manter a “gira firmada” por tanto tempo, as pessoas trabalham, ficam cansadas, e a falta de concentração, ou nível energético dos médiuns tende a cair drasticamente após 3 horas consecutivas de culto. Além do mais a própria assistência começa a ficar desacomodada,
desconfortável, gerando vibrações de impaciência e falta de interesse. Tudo isso gera um desacordo energético que acaba por influenciar o bom andamento da gira. É claro que estamos nos referindo às giras ordinárias e não às festivas.
4. O abate de animais (sacrifício) não faz parte, em nenhum momento, de qualquer rito da Umbanda
(aberto ou fechado).
5. No que diz respeito a oferendas aos Orixás, guias, ou entidades menores, ressalto que sou contra o uso excessivo desse recurso como elemento de religação. A oferenda tem sua função específica e determinada. A banalização da mesma influencia negativamente no desenvolvimento do médium e na evolução do espírito (guia ou protetor) que a está recebendo.
Aqui você pode estar perguntando como e porque o uso excessivo de oferenda pode atrapalhar a evolução de um espírito e/ou de um médium.
A resposta é simples e como em tudo há sempre dois lados a serem observados:
Na realidade desestimulamos tudo que seja excessivo. No caso das oferendas, existem consequências de ambos os lados, material e espiritual.

Do lado material:

a) O custo dos elementos da oferenda (muitas pessoas chegam a deixar de comer, ou até mesmo, permitem que falte alguma coisa dentro de sua casa para comprar os elementos da oferenda).
b) Estímulo a barganha espiritual, ou seja, o ofertante acredita que oferendando alguma coisa poderá obter privilégios junto a espiritualidade.
c) Estímulo a preguiça espiritual no sentido da evolução, ou seja, o ofertante começa a acreditar que a oferenda substitui o seu empenho em melhorar enquanto pessoa, geralmente com a famosa frase : “Eu cuido do meu santo, já arriei minhas coisinhas”.

Do lado espiritual:

a) Pela pessoa somente se interligar com a espiritualidade através da oferenda, as entidades receptoras começam a pedir cada vez mais oferendas com o intuito de estarem sempre próximas da pessoa, pois sabemos que para que haja aproximação da entidade é necessário que haja sintonia de pensamentos e sentimentos. Quando fazemos uma oferenda, geralmente elevamos a nossa faixa vibracional e nos harmonizamos com a entidade. Isso faz com que
comece a haver uma espécie de “vício” ou “ciclo vicioso”, onde entidade e pessoa começam a precisar da oferenda para se comunicarem.
b) Disso surgem pedidos cada vez mais freqüentes impedindo a evolução da pessoa e da entidade que começa a ver na oferenda a única forma de contato com a pessoa ofertante.
Havendo a real necessidade, a oferenda deve ser feita em locais determinados, normalmente junto à natureza ou reinos apropriados. Lembrando sempre de deixar o local limpo como foi encontrado.
Nós umbandistas amamos a natureza e as suas energias, como podemos sujar os locais sagrados para nós? É no mínimo incoerente. E uma coisa que o umbandista não pode ser é incoerente.
A situação ideal é que todas as oferendas sejam feitas dentro do próprio terreiro em alguma parte destinada para esse fim.
6. A vestimenta básica do trabalhador de Umbanda é toda branca.
7. Não há, sob hipótese alguma, retribuições financeiras por trabalhos executados, consultas, ou o que quer que seja, e nada, absolutamente nada, justifica a cobrança de consulta.
Existem inúmeras maneiras de se sustentar um terreiro sem que haja necessidade de se cobrar por nada que envolva o sagrado.
8. A ascensão ao sacerdócio na Umbanda se faz através do tempo, da propriedade individual, da constância e seriedade com que o médium se propõe à caridade. Mas fundamentalmente o trabalho, o tempo, a dedicação e o estudo são a firmeza do médium, pois não adianta fazer uma série de recolhimentos e preceitos se o médium não se entrega à função sacerdotal dentro e fora do terreiro, com responsabilidade e consciência de seu papel.
9. A prática religiosa deve ser realizada em locais específicos, nos centros. O atendimento na residência do médium pode se tornar altamente perigoso, pois não haverá as firmezas necessárias para a descarga dos atendimentos ou trabalhos lá realizados. Muitos médiuns não veem problema algum em atender uma ou outra pessoa em casa, entretanto afirmamos que existem consequências desastrosas para quem começa assim e se deixa levar pela vaidade.

TERMOS USADOS NA UMBANDA

Gira: Sessão religiosa, com cânticos e danças para cultuar as entidades espirituais.

Gira de Caboclo: Sessão religiosa, o mesmo que gira; só que voltada única e exclusivamente para a linha de caboclo.

Guia: Colar ritualístico especial para cada entidade. Entidade espiritual, espírito superior. Alguns são o guia protetor do templo, outros do médium. Geralmente o guia do terreiro incorpora no dirigente espiritual do templo.

Guia de Cabeça: Orixá ou entidade principal do médium, seu protetor.

Guia de frente: O mesmo que guia de cabeça.

Homem das Encruzilhadas: Exu.

Homem de Rua: Exu.

Incorporação: Transe, possessão mediúnica.

Incorporar: Entrar em transe “receber” a entidade.

Legião: Exercício de seres espirituais, o mesmo que falange. Conjunto de seres espirituais de grande evolução, conjunto de espíritos elementares (exus) em evolução.

Lei da Umbanda: A crença da umbanda e seus rituais.

Linha: Faixa de vibração, dentro da corrente vibratória espiritual. Um orixá também chamado protetor e que é chefe dos seres que vibram e atuam nessa faixa. Conjunto de falanges e que se subdivide uma faixa vibratória. Conjunto de representações (corporal, dança, cores, símbolos) e rituais (comidas, bebidas, dia da semana), etc.; de cada orixá ou entidade. Conjunto de cerimônias rituais de determinado tipo. Ex. linha de umbanda, linha branca, etc.

Linha Branca: Ritual visando unicamente o bem.

Linha das Almas: Corrente vibratória que congrega os espíritos evoluídos de antigos escravos africanos

Linha de Cura: Ritual que se ocupa mais com a cura física e espiritual do adepto, do que com o culto às divindades.

Linha do Oriente: Congrega espíritos que viveram em povos do oriente.

Macaia: Folhas sagradas. Local das matas onde se reúnem os terreiros.

Macumba: Antigo instrumento musical usado outrora nos terreiros afro-brasileiros. Nome que os leigos usam para denegrir a umbanda. Nome que os leigos usam para designar “despacho” de rua (pejorativo).

Madrinha: O mesmo que dirigente espiritual, Mãe de Santo, Babá sacerdotisa. Termo utilizado na Umbanda para designar à Entidade Espiritual e/ou Médium que foi escolhido por um Filho de Fé para batizá-lo.

Mandinga: Feitiço, encantamento, também praga rogada em voz alta.

Manifestação: Incorporação, transe mediúnico.

Manifestar: Ato do ser espiritual incorporar-se em alguém, tomar conta do corpo de alguém.

Marafo: Aguardente, termo muito usado pelos exus.

Matéria: Corpo, Parte material do homem, a mais afastada da pureza espiritual.


Médium: Pessoa que tem a Faculdade Especial de servir de intermediário entre o mundo físico e espiritual. Termo do espiritismo, adotado pela umbanda.

Mesa Branca: Denominação dada as sessões de espiritismo Kardecistas. 

Mironga: Segredo, mistério.

Orixás

Muita polêmica existe em relação aos Orixás, bem como, em relação as formas de cultuá-los e na África foram e são deuses dos povos de diversas nações. Nossos irmãos africanos possuíam Orixás praticamente para tudo. Com a chegada dos escravos africanos no período colonial, juntamente com eles vieram os seus cultos, seus rituais e dogmas.

Mas quem são os Orixás?


Os Orixás são formas espirituais de elevada envergadura, são seres que nunca nasceram na Terra e que colaboraram inclusive na formação do próprio planeta. Foram captados por todas as civilizações de nosso planeta independente da educação de uma civilização para a outra. 

Como exemplo, nossos irmãos africanos deram o nome de Iemanjá para a divindade das águas, já os nossos índios deram a mesma divindade o nome de "Iara" que em Tupi-Guarani significa "deusa das águas".  Na Antiguidade os gregos captaram a mesma divindade, porém, na forma masculina e lhe deram o nome de Poseidon ou Netuno. Se nossos irmãos africanos deram ao responsável pelos trovões o nome de Xangô, os nossos índios o chamaram de Caramuru. Desta forma, não é importante o nome dado a essas formas de elevada envergadura, a importância recai apenas no fato de que são seres criados por Deus para ajudarem o homem, mas o homem em sua insanidade desenvolveu cultos que nada tem em comum com esses elevados seres.

Os Orixás na Umbanda não são cultuados com oferendas, desta forma, entendemos que os Orixás não comem e não bebem, como vemos em despachos nas cachoeiras, nas matas, etc.
A prática de dar comidas, bebidas e sangue aos Orixás, tem origem nas senzalas devido aos maus tratos que nossos irmãos africanos recebiam do branco colonizador e em forma de revide a esses maus tratos, praticavam a milenar (e poderosa) magia africana trazida ao Brasil no período colonial com os polos invertidos, transformando a magia positiva em negativa o que é conhecido na atualidade como despacho.
Em meio aos escravos não vieram apenas os plebeus, entre eles vieram também reis, príncipes, sacerdotes e feiticeiros
Ao Brasil chegaram aproximadamente 60 Orixás, o Candomblé cultua perto de 18 Orixás (existem muitas variações de uma nação para outra) e a Umbanda cultua 10 deles.
O Candomblé, também conhecido como culto de nação, tem seus dogmas fundamentados nas forças da natureza e no culto primitivo aos Orixás desenvolvidos nas senzalas que envolvia o sacrifício de animais, por essa razão adotam esses procedimentos.

Muitos atacam o Candomblé devido aos sacrifícios de animais e ninguém tem esse direito. Todas as religiões possuem "dogmas" (Dogma = Ponto fundamental e indiscutível de uma religião). Dentro dos dogmas do Candomblé os sacrifícios fazem parte de seus rituais e devem ser respeitados por todos.

Vamos raciocinar:

Muitos criticam o sacrifício dos animais no Candomblé, mas ao mesmo tempo se alimentam de carne, isso sim é hipocrisia! 

E no Candomblé a carne dos animais é depois também consumida por seus seguidores, tal qual fazemos em nossas casas, restaurantes, etc.
O que é moral em uma sociedade, pode não ser em outra, se no Brasil consumimos carne bovina, na Índia esse consumo é um sacrilégio. 
No Brasil temos grande afeição pelos cães, em Países orientais como a Coréia os cães são consumidos como alimento e sua carne é vendida nas feiras e mercados, tal qual ocorre nos açougues do Brasil com a carne de outros animais.
No Brasil temos também grande afeição pelos cavalos e no Japão a carne dos cavalos é muito apreciada e consumida.
Portanto, antes de criticar é necessário entender e respeitar a fé de seu próximo, o que para alguns é anormal, para eles é perfeitamente normal.

A forma de cultuar aos Orixás na Umbanda difere da forma como são cultuados no Candomblé e vice-versa. Pode-se dizer que o único fato comum entre os cultos são o nome do Orixá, seus desígnios e alguns de seus "fetiches"1.

1. - Fetiche = Instrumento sagrado de um Orixá, através do qual o Orixá pode ser pressentido ou representado no plano físico. Como exemplo; a espada está ligada e representa Ogum, a machada representa Xangô, a flecha representa Oxossi, etc. Na Umbanda, alguns fetiches não tem origem africana, como exemplo; a cruz representa Oxalá, a cruz com degraus representa Omulú, o pentagrama representa Oxum, a âncora representa Iemanjá, etc. Dai a necessidade de compreensão das diferenças entre os dois cultos.

Se o Candomblé cultua aos Orixás com comidas de Santo, a Umbanda não as aceita por ter princípios diferentes, esses princípios foram e são ensinados pelos Guias de Umbanda.
O Candomblé sacrifica animais em seus cultos e consagram esses sacrifícios aos Orixás e a Umbanda não pratica e não aceita em hipótese alguma qualquer tipo de sacrifício com animais ou qualquer outro sacrifício que envolva ou não os animais.
Desta forma, a Umbanda e o Candomblé seguem com seus rituais e nossas linhas nunca se cruzam.


O problema que gera a confusão é que todo terreiro que se diz de Umbanda e seus dirigentes permitem o sacrifício de animais, deixam claro que esse templo não é de Umbanda. Essa conduta deve-se ao fato de que no passado o Pai de Santo normalmente sem a missão sacerdotal, foi buscar conhecimentos necessários para conduta de um terreiro no Candomblé, já que os Pais de Santo de Umbanda, não ensinam esses conhecimentos a qualquer um, ensina-os apenas àqueles que iniciarão como dirigentes de um novo templo a pedido do plano espiritual superior. Qualquer Pai de Santo sem a missão sacerdotal (missão que vem do seu berço) que recorra aos dogmas do Candomblé, implantará as camarinhas, a raspagem, a catulagem, as comidas de santo e os sacrifícios de animais e para esses terreiros, recentemente se tem usado o termo "Umbandomblé" para designar o terreiro que não é de Umbanda e também não é Candomblé. O termo é pejorativo, já que esse terreiro não é nem uma coisa nem outra e o fanatismo por lá impera.
Nesses terreiros, às vezes existem cultos que são divididos, de forma que em um determinado dia de trabalho se diz praticar Umbanda e em outro dia pratica-se Candomblé. E em casos mais graves as duas formas de culto ocorrem no mesmo dia.
O pessoal que pratica o Candomblé com seriedade de culto, não aceita essa situação e caçoa dos terreiros com essas práticas.  No Candomblé verdadeiro, os cultos são direcionados de forma a se cultuar os Orixás, que seus praticantes chamam de "encantados".
Os espíritos que comparecem aos cultos de Umbanda, como os caboclos e os pretos velhos, no Candomblé são chamados de "Eguns", que significa espíritos dos mortos. Se acontecer de um caboclo baixar num terreiro de Candomblé verdadeiro, ele será enxotado de lá com severidade.
O Candomblé cultuado com seriedade de culto não aceita a Umbanda e a quer longe de seus cultos e vice- versa. Sabemos que a intenção dos dois cultos, não é desmerecer um ao outro, simplesmente o Candomblé não aceita nossos dogmas, como também não os aceitamos em seus dogmas, devido as enormes divergências que existem entre os dois cultos.  Tanto as pessoas do Candomblé, como as da Umbanda desejam ardentemente a distinção entre os cultos, já que aquilo que é praticado em um culto, nada tem em comum com o outro, de forma que se chega a abominar certas práticas em ambos os casos.
A confusão na cabeça das pessoas ignorantes ao que praticamos se faz devido ao uso de diversos fatores semelhantes nas duas religiões, como exemplo, os atabaques, as roupas brancas, as guias que usamos, etc. Esses fatores é que permitem a confusão. Por serem parecidos, mas não semelhantes, dão a idéia ou impressão que são a mesma coisa, quando na realidade não o são.
Conhecemos muitos terreiros de Candomblé e lemos muita coisa a respeito do culto e não as aceitamos, da mesma forma que um seguidor do Candomblé poderá ler o que escrevemos e divergir de tudo o que relatamos. Nossa intenção não é desmerecer as praticas do Candomblé, simplesmente não as aceitamos, porque a Umbanda não as aceita.  Todas as igrejas e seitas possuem bons e maus seguidores, bons e maus praticantes e bons e maus dirigentes.
O Candomblé segue normas e princípios distintos e seu culto é regido de forma hierárquica muito rígida. Essa hierarquia concede ao Pai de Santo de Candomblé, poderes ilimitados em relação aos seus adeptos e seguidores. No Candomblé somente ao Pai de Santo cabe transmitir as mensagens dos Orixás, dentro de um ritual de cantos e danças ou através dos búzios.
Na Umbanda isso não ocorre, já que os ensinamentos e emanações do Orixás são transmitidos ao seguidor umbandista através de nossos guias e protetores. A explicação das diferenças dos cultos é necessária para que se possa compreender o que é a Umbanda e a sua moralidade. Se os Orixás estão presentes na Umbanda, temos que aprender a cultuá-los como a Umbanda ensina e não como os mal preparados, sem a missão sacerdotal a praticam, por terem ido buscar conhecimentos em culto totalmente oposto as praticas de Umbanda.
Na realidade os Orixás são hoje em muitos terreiros, cultuados de forma totalmente deturpada, a falta de preparo desses maus dirigentes, fazem hoje dos Orixás, seres que só aceitam ajudar os homens se beberem o sangue de animais sacrificados.  Os rituais de sacrifício praticados sem base e conhecimento, só permitem a vampirização do sangue dos animais, feitas por espíritos que erradamente se dizem ou são chamados de exus. O umbandista entende que os Orixás não bebem sangue e não sentem fome, desta forma, não necessitam de alimento, portanto as "comidas de santo" são desnecessárias no ambiente umbandista.
O Orixá dentro de sua linha vibratória influencia seus mensageiros espirituais, que são por nós conhecidos como Guias de Umbanda. Esses espíritos Guias incorporam nos médiuns durante os trabalhos que são realizados em nossos templos e transmitem desta forma, seus ensinamentos, sentimentos, leis e emanações, sem a necessidade de oferendas.
A força que os Orixás possuem é imensa, para melhor compreensão, imagine o Orixá conhecido como Oxossi. Na Umbanda Oxossi é o senhor das matas e praticamente o senhor de todos os caboclos, constatamos em todos os terreiros que visitamos, que o respeito que todos os caboclos tem por Oxossi, é imenso. Ele é conhecido também como o Orixá caçador, mas não de animais e sim, de almas (o catequizador).  Sendo as matas os seus domínios, ele na realidade é a própria mata, em toda a sua força e grandeza, capaz de gerar a vida, mantê-la e protegê-la dentro das matas. Essa força em toda a sua magnitude, não pode ainda ser compreendida pelo homem, podemos apenas pressenti-lo, através de seus fetiches e do que aprendemos sobre ele, sobre o seu grande conhecimento, aliado a sua imensa força espiritual.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Salve Jorge!

Na região sul e sudeste do Brasil, Ogum é sincretizado a São Jorge, Santo cassado pela Igreja Católica. Acredita-se que São Jorge tenha pertencido ao exército romano e converteu-se ao cristianismo sendo por esse motivo torturado e teve a cabeça decepada a mando do imperador Diocleciano. Embora cassado, São Jorge continuou sendo o patrono ou o santo protetor de muitas nações, como exemplo a Inglaterra, Portugal e a Rússia e de muitos exércitos como o Exército Brasileiro.


Na Umbanda São Jorge continua sendo o santo que representa Ogum. Ele é o Orixá protetor contra as guerras e contra as demandas espirituais. Ogum é também o protetor dos militares, de todos os seguidores da Umbanda e também daqueles que sofrem perseguições materiais ou espirituais.


Sua cor é o vermelho encarnado, seu fetiche é a espada. Ele é o guerreiro que trava batalhas espirituais contra as forças do mal e é respeitadíssimo dentro de nossos cultos, como também pelos seguidores do mal. É comum os exús o chamarem Ogum de “meu Senhor das armas”, esse procedimento já demonstra o respeito que obtém até daqueles que combate. Sob a sua responsabilidade está a manutenção da lei e da ordem.


Conhecido como o general de Oxalá, Ogum protege a todos que a Ele recorrem. Seus domínios são todos os caminhos e todos os lugares. Em qualquer lugar que exista a menor possibilidade da prática do mal Ogum é atuante, seja nas encruzilhadas, nas matas, nos cemitérios, nas praias, na subcrosta, etc.


A lei de Ogum é a lei da espada, sua linha é a mais atuante contra as forças da Quimbanda e da magia negativa e suas funestas conseqüências.


Nas obrigações a Ogum são usados cravos vermelhos ou brancos, velas vermelhas ou brancas, cerveja branca, água, pedidos e orações.



Desconhecemos o motivo pelo qual a cerveja branca é consagrada a Ogum, já que essa bebida não existia na África, mas nas manifestações da linha de Ogum no terreiro, a cerveja branca é solicitada pelas entidades de sua linha, desta forma pode-se dizer que essa é a sua bebida, juntamente com a água. O uso de água em nossos rituais é grande, espíritos trevosos ou malignos não bebem água, desta forma se algum dia você desconfiar de mistificação em relação a qualquer entidade, solicite a ela que beba água, se a entidade recusar a água, sua máscara cairá.
O uso de água contra demandas espirituais é comum, por ser a bebida de Oxalá.




Recorra a Ogum sempre que se sentir ameaçado espiritual ou materialmente. Peça ajuda a Ele, para você ou para qualquer pessoa que você notar estar embaraçada.


“Ogum jamais desampara aqueles que a Ele pedem ajuda”


·                     Cor..........................Vermelho


·                     Domínios..................Todos os caminhos e lugares


·                     Atuação...................Contra demandas e feitiços


·                     Saudação.................Ogum é meu pai ou Ogum iê


·                     Elementos................Terra e fogo